sábado, 17 de fevereiro de 2018

Confie em Deus - Parte II

            
"Deus fez tudo formoso no seu tempo..."
Eclesiastes 3.11


           Achava e acho super legal ver minhas amigas contarem as aventuras da escolinha, de comprar as fraldas e outras coisas que as deixavam sem dinheiro. Estar com mulheres que falassem sobre isso nunca foi um problema e sempre lidei bem com isso, inclusive eu as admirava ainda mais. Mas na verdade, eu não sabia se estava preparada para aquilo tudo. Vou ser honesta, sou muito fraca e molenga. Quando a Nany (Minha falecida gata) cortou o rabo eu quase morri. Imagine se  fosse um filho. Deixarei isso para as mulheres fortes de verdade
         As coisas em minha vida também sempre aconteceram tarde e achava que ter um bebê  teria que ser uma  ação  divina. Achavam por exemplo que eu não  me casaria e casei.
          Sou casada há quase 10 anos e a medida que o tempo passava todos me perguntavam  com aquela cara de protesto porque os filhos não vinham. Me perguntava o porquê da pergunta:  é da conta dele(a)? Vai me ajudar a criar? Porque se metem? Eu me sentia mal. Me sentia  diferente. Me sentia deslocada com o que os outros pensavam, afinal isso seria uma decisão  minha e do meu marido. De qualquer forma, a gravidez  nunca aconteceu. Não preciso entrar em detalhes mas posso dizer que graças a Deus meu médico nunca nos disse que nós dois não poderíamos ter filhos, porém, isso só aconteceria com tratamento. Eu não tinha ânimo e nem dinheiro pra isso.
              Era uma situação para eu confiar em Deus. Se fosse para ter filhos, que seria através da fé. 
            Com os anos aprendi que Deus me ama assim. Que sou importante e não  sou menos mulher porque não concebi. As pessoas perguntam se não me arrependo e só  posso dizer que de outras coisas sim e muito, mas não  de ainda não ter não filhos. Já ouvi coisas do tipo “quem vai cuidar de você na velhice?”...de verdade, na casa de repouso há muitas pessoas com filhos que nunca visitam e eu mesma não  consegui cuidar dos meus pais como eles mereciam. Eles se mudaram para o litoral e tive que confiar em Deus para cuidar deles melhor do que eu poderia cuidar e Deus colocou pessoas perto deles para que isso acontecesse. Minha mãe  trabalha até  hoje e meu pai, hoje com Alzheimer, mora em uma casa de repouso onde não consigo visitar sempre quando quero. Então, ter filhos pra cuidar de você é totalmente  sem sentido  pra mim.

          Com o tempo também aprendi  a viver  sem as responsabilidades de um  bebê.  Criei uma rotina onde consigo viver bem assim: viajar, fazer as coisas no meu tempo, dormir até mais tarde, fazer comida se tenho fome ou não, coisas assim e acredite, não é  tão  ruim.
         As vezes  surgem pessoas pedindo conselho sobre como lidar com seus filhos e mesmo eu não sendo mãe, sei que ninguém precisa da minha experiência até porque nesta área eu ainda não tenho. Meu conselho  tem que ser no que a bíblia diz. Seja para casais, pais, vida familiar, enfim, nosso respaldo tem que ser a palavra de Deus e nada mais. 
         O apóstolo Paulo também não teve filhos e foi cheio de sabedoria para nos aconselhar. Inclusive Deus sabe o que nos dá ou não em nossas vidas e temos que confiar na vontade dele pra gente . Nem todos se casarão, nem todos serão pais mas todos são chamados por Deus para ter uma vida relevante que agrade a Deus e ajude os outros. Nossa vida não deve girar em torno de nós mesmos e nem devemos nos sentir “esquecidos” por Deus ou amargurados...nossa vida deve girar em torno de Deus e de sua vontade para nós que é boa, perfeita e agradável  e crer na sua palavra que diz que nenhum de seus planos para nós  serão frustrados (Jó 42.2).
        Nunca descartaremos a possibilidade de  ter filhos. Talvez adotemos. Talvez tenhamos  alguns espalhados por aí, filhos espirituais que precisaram de nosso tempo, amizade, oração, lágrimas, socorro ou algum tipo de ajuda financeira, psicológica, etc. O importante é entender que Deus é o dono do tempo e Ele é perfeito em todas as decisões pra nossa vida. Hoje sinto paz em compartilhar. Hoje confio em Deus pra isso. Estar no centro da vontade de Dele,  feliz e em paz até que Ele queria nos agraciar e (e depois disso também)  já é mais do que suficiente para conhecer nosso Deus de perto e saber que nada mudará  o amor dele por nós.
Eu o amo.

Com amor
JS

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Confie em Deus - Parte I


          Decidi escrever este post porque trata-se de algo delicado, pessoal e porque as pessoas não falam muito sobre isso. Por mim mesma posso dizer: só quando senti paz e entendi o que Deus estava fazendo em minha vida, é que decidi compartilhar minha experiência.

          Talvez por vergonha, pressão ou talvez por medo, as pessoas que não tem filhos não gostam de falar sobre isso e talvez o silêncio dê voz a milhares de pensamentos sobre como lidar com elas mesmas e as pessoas ao redor. São tantas cobranças que amigos, familiares, enfim, a sociedade impõe que fica difícil falar abertamente. Ouvi dizer que ter filhos é  a mulher que sempre decide e no meu caso, posso dizer quê é  uma decisão  divina junto com meu marido e eu.

          Mas na verdade, ter filhos ou não trata-se muito de confiar em Deus. Até que os filhos venham e depois, para ensiná-los no caminho em que devem andar.

          Eu sempre gostei de crianças . Na verdade eu sou uma criança grande. (Me coloque perto dos pequeninos pra ver.)
        Para ser honesta, o mais próximo que cheguei de ser “mãe” foi cuidando do meu irmão. Desde bebê acompanhei sua vida, levei-o a escola, cuidei dele enquanto nossos pais trabalhavam, morou conosco quando me casei e “adotamos” como sendo nosso. Hoje ele é um adulto mas tivemos muitas preocupações como um pai teria e tivemos noções do que seria ter alguém dependente  de você.

          Então, fiquei  em conflito comigo mesma muitas vezes e até triste quando diziam que quem não tem filhos não  sabe o que é o amor. Quem não tem filhos não é  uma família de verdade. Quem não tem filhos não pode tirar férias em julho ou dezembro, época de férias porque... enfim não tem filhos e não conhece as necessidades de uma família (como se fôssemos ETs, ou como se não tivéssemos planos como qualquer outra pessoa).

           Na verdade eu acho essa afirmação um tanto quanto precipitada uma vez que o amor a um filho é  um outro tipo de amor e não o único. Afinal, nós os que não temos filhos não  somos “sem coração”.  Também sentimos amor. Também sentimos tristeza e alegria. Também rimos e choramos. Também nos importamos. Tenho amigos que não tiveram filhos também mas que cuidaram de outras pessoas de tal forma que deixaram de lado carreiras, vida própria porque se dedicaram ao bem estar de outro. Pessoas assim são movidas pelo amor.

          Quando penso sobre essas coisas vem em minha mente aquele dilema: mãe é quem gera ou quem cria? Lembrei de várias situações: daqueles que tiveram filhos e os abandonaram ou rejeitaram ou largaram seus cônjuges por causa de uma adoração centrada nos filhos. Para para mim isso já é um bom exemplo de que o amor materno não é  o “melhor” ou maior amor de todos e sim, outro tipo de amor.

           Jesus mesmo não teve filhos da carne e teve o maior do mundo. Me lembrei de suas palavras quando disse:
Não existe maior amor do que este: 
de alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos João 15.13

          Sabe porquê? Por um filho você    a sua vida, é verdade, talvez não seja um sacrifício, mas jamais você daria por um amigo. Parece radical. Parece insano.

Continua...

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